Simplificando o primeiro acesso e reduzindo a complexidade do onboarding.
Empresa Confidencial
01 — Visão geral
O projeto surgiu a partir de um problema no primeiro acesso ao aplicativo de saúde: o processo de cadastro era longo e exigia uma etapa de autenticação em dois fatores (2FA) antes que o usuário pudesse começar a utilizar o aplicativo.
Para o beneficiário, isso significava lidar com credenciais, códigos de verificação e diferentes etapas antes mesmo de conseguir acessar seus serviços de saúde.
O objetivo foi repensar esse primeiro contato e criar uma experiência mais simples, especialmente para usuários que poderiam ter diferentes níveis de familiaridade com tecnologia.

Meu papel: UX/UI Designer
Foco: Onboarding · Identity Verification · Mobile UX
02 — O desafio
O problema não estava apenas na quantidade de telas, mas na complexidade acumulada ao longo do fluxo.
O usuário precisava passar por etapas de autenticação antes de conseguir estabelecer sua relação com o plano de saúde.
Em um aplicativo que deveria facilitar o acesso a consultas, exames e informações do plano, o primeiro contato acabava criando uma barreira.
A pergunta que orientou o projeto foi:
Como validar a identidade do beneficiário sem transformar o primeiro acesso em um processo burocrático?
03 — A experiência antiga
O fluxo anterior utilizava autenticação em dois fatores como parte do processo de acesso.
Embora o 2FA seja uma camada importante de segurança em determinados contextos, ele também adiciona etapas e dependências ao fluxo. Em sistemas digitais, a autenticação multifator normalmente exige uma segunda evidência de identidade além das credenciais principais.
Para o onboarding do aplicativo, isso significava uma experiência com maior carga cognitiva justamente no momento em que o usuário ainda estava tentando entender como começar.
Mais etapas → mais pontos de dúvida → maior esforço para chegar ao produto.
04 — Pesquisa e personas
Para entender diferentes necessidades de uso, foram trabalhadas personas com perfis distintos de beneficiários.
João, 35 anos
Usuário familiarizado com tecnologia, que utiliza aplicativos com frequência e valoriza rapidez.
Precisa:
Acessar informações do plano, consultas e histórico sem burocracia.
Maria, 58 anos
Usuária que utiliza o celular principalmente para tarefas cotidianas e pode apresentar maior dificuldade diante de fluxos muito complexos.
Precisa:
Encontrar informações de saúde com clareza, acompanhar consultas e ter suporte acessível.
A diferença entre os perfis mostrou que simplificar o fluxo não significava apenas reduzir telas, mas tornar as decisões mais fáceis de compreender.
05 — A nova abordagem
A principal mudança foi substituir o fluxo inicial baseado em múltiplas etapas de autenticação por uma identificação a partir do CPF do beneficiário, utilizando os dados já existentes na base do plano.
Em vez de começar perguntando:
“Como você vai autenticar sua identidade?”
O fluxo passa a começar por:
“Quem é você dentro do plano?”
Essa mudança tornou o onboarding mais direto e permitiu utilizar informações que o sistema já possuía para reduzir o preenchimento manual.
O CPF também é amplamente utilizado como identificador em serviços digitais de saúde no Brasil, inclusive em sistemas públicos de saúde.
06 — Novo onboarding
01 — Escolha do perfil
O primeiro passo diferencia beneficiário titular e dependente, evitando apresentar um formulário genérico para todos.

02 — Identificação
O usuário pode escanear o QR Code da carteirinha do plano ou inserir seus dados manualmente.
A leitura da carteirinha reduz o esforço de digitação e aproveita um objeto que o beneficiário já possui.

03 — Confirmação
Os dados encontrados na base são apresentados para que o usuário possa revisar as informações antes de continuar.
Isso transforma uma etapa potencialmente invisível de validação em uma confirmação simples e compreensível.

04 — Ajustes
Quando necessário, o usuário pode corrigir seus dados antes de finalizar o cadastro.
O fluxo mantém a pessoa no controle sem obrigá-la a preencher novamente informações que já estavam disponíveis.
07 — Projetando para diferentes usuários
A simplificação precisou considerar que nem todos os beneficiários possuem o mesmo nível de familiaridade digital.
Por isso, o fluxo trabalha com progressive disclosure: cada tela apresenta apenas as informações necessárias para aquela etapa.
Também foram priorizados:
- textos objetivos;
- ações principais evidentes;
- poucos campos por tela;
- feedback visual;
- possibilidade de voltar;
- alternativa manual para quem não consegue utilizar o scanner.
A ideia era fazer com que o usuário entendesse o que precisava fazer antes de precisar descobrir como fazer.
08 — Decisão chave de UX
Uma das decisões mais importantes foi manter o scanner da carteirinha como alternativa, e não como única forma de cadastro.
A tecnologia pode acelerar o processo, mas não deve criar uma nova barreira.
QR Code
Caminho rápido
Cadastro manual
Caminho acessível
Os dois caminhos levam ao mesmo ponto: identificação e confirmação dos dados do beneficiário.
09 — Design visual
A interface foi construída com uma linguagem visual simples e familiar, utilizando uma hierarquia clara e poucos elementos por tela.
O azul funciona como principal elemento de ação e orientação, enquanto espaços amplos e componentes de formulário ajudam a reduzir a sensação de complexidade.
No mobile, a prioridade foi manter a atenção em uma única tarefa por vez.
10 — Antes → depois
Antes
Login → credenciais → 2FA → validações → acesso
Maior quantidade de etapas e maior dependência de códigos e credenciais.
Depois
Identificar → Confirmar → Ajustar → Acessar
O novo fluxo utiliza o vínculo existente entre CPF e beneficiário para reduzir o esforço de cadastro.
A principal mudança não foi remover segurança, mas deslocar a complexidade para o sistema e deixar o usuário com uma tarefa mais simples.
11 — Resultados
A reformulação transformou o onboarding de um processo predominantemente baseado em autenticação em uma experiência de identificação e confirmação.
O novo fluxo reduz a quantidade de decisões que o usuário precisa tomar, aproveita informações já existentes na base do plano e oferece diferentes caminhos para concluir o cadastro.
O resultado é uma entrada mais simples para um produto que, por sua natureza, precisa transmitir clareza, confiança e acessibilidade desde o primeiro contato.
12 — Reflexão
Esse projeto me mostrou que simplificar uma experiência não significa simplesmente retirar etapas.
Em produtos de saúde, existe uma tensão constante entre segurança, conveniência e acessibilidade. O desafio de UX está em encontrar o ponto em que a complexidade necessária para proteger o sistema não seja transferida desnecessariamente para quem está tentando utilizá-lo.
Nesse caso, a principal evolução foi justamente essa: o sistema passou a fazer mais trabalho para que o usuário precisasse fazer menos.
